19 de jul de 2013

SENTA A PÚA – IX RORAIMA SESC FEST ROCK – UM SONHO VISIONÁRIO, UM FESTIVAL INESQUECÍVEL! (PARTE 2)


Maior e mais tradicional festival de Rock de Roraima, chegou a 9ª Edição elevando o nivel do rock roraimense a novos patamares, celebrando o dia mundial do rock e provando que a chama do metal arde inesgotavelmente no peito dos headbanguers de Roraima. Um festival que entra para a história do rock acima da linha do Equador, como o maior e mais inesquecível de todos os tempos em Roraima.

Por Victor Matheus – www.roraimarocknroll.blogspot.com

“O visionário é aquele que possui a rara habilidade de aliar a visão à competência. Ele não enxerga apenas o presente: enxerga também o futuro. É capaz de prever tendências e de antecipar mudanças, em vez de ser simplesmente atropelado por elas.” 

A história da humanidade é florida de personagens que em momentos inspirados, ousaram em tomar decisões a princípio insanas, mas que acabaram por mudar e até definir a história moderna como conhecemos nos dias atuais. Talvez se Steve Jobs, por acaso, não assistisse as aulas de caligrafia no campus da Reed College, tomasse ácido e fumasse maconha, o visual e linhas do Mac, e tudo o que conhecemos hoje relacionado à Apple jamais existiria... Homens como Jobs, Bob Geldof (idealizador do Live Aid, que deu gênese ao dia mundial do rock) e tantos outros sempre tiveram como característica de suas personalidades uma inquietação latente, um desejo quase divino de querer mudar o mundo ao seu redor, e por conta disso jamais desistiram de seus objetivos, e mesmo quando tudo parecia conspirar contra suas idéias persistiram... O resto é história. 

Em Roraima, também temos homens visionários, capazes de enxergar além do seu presente e projetar no futuro o que para muitos poderia soar como um devaneio. Um desses visionários atende pelo nome de Kildo Albuquerque, amante do rock e idealizador junto de algumas bandas da cena, há mais de uma década, do Espaço Rock e do Roraima Sesc Fest Rock... Se no futuro poderemos contar aos nossos filhos que um dia aconteceu em Boa Vista um mega festival de rock, com a participação da maior banda de metal do Brasil, devemos isso não exclusivamente, mas em grande parte ao Kildo Albuquerque, que alimentou por muito tempo esse sonho quase surreal de trazer a Roraima o Sepultura... Demorou mas o “pai do rock” roraimense conseguiu, e nós, banguers de alma, fãs de rock, e entusiastas da cultura rocker underground agradecemos e celebramos essa história que atingiu seu ápice no último domingo, dia 14 de julho de 2013, na área das piscinas do Sesc Mecejana. 

Kildo Albuquerque - Visionário do rock roraimense

Há 9 anos atrás quando nasceu o Roraima Sesc Fest Rock, a cena rock roraimense era bem diferente dos dias atuais... Bandas covers predominavam na cena, ainda embrionária... Com o surgimento de bandas autorais como Mercedez Band e LN3 e o nascimento do Espaço Rock do Sesc Centro e consequentemente do Roraima Sesc Fest Rock, a partir de 2004 houve uma explosão de bandas autorais e se estabeleceu de fato uma cena rocker acima da linha do equador... Os picos de rock nesse período eram escassos, em contra partida do público cada vez maior, em especial os headbanguers... O Espaço Rock fomentou por muitos anos a cena rock local, e proporcionou vários shows inesquecíveis, principalmente show com bandas de metal que sempre tiveram um público fiel... Dessa época para os dias atuais, o Roraima Sesc Fest Rock e outros eventos e festivais de rock de Roraima sempre abriram espaço para o metal, pois modinhas a parte, o único público que permanece fiel e imutável mesmo com o passar do tempo, são os banguers... Na oitava edição do Fest Rock, pela primeira vez uma banda de metal de renome nacional (KORZUS) veio participar do evento, e provou que a espinha dorsal que move o Fest Rock sempre será o metal... São os metaleiros que continuam a sedimentar as bases que alimentam esse grande organismo vivo chamado Roraima Sesc Fest Rock... A partir daí os rumores e a vontade, expressa publicamente de Kildo em ter o Sepultura no Fest Rock tomou força e se concretizou nesta edição. 

DITAMBAH - Uma das bandas autorais locais de destaque no Festival

O segundo e derradeiro dia da 9ª edição do Roraima Sesc Fest Rock foi bem diferente em relação a primeira... O público timido da noite anterior deu lugar uma massa de rockers, mods, alternativos e banguers no Sesc Mecejana, para prestigiar a atração nacional Sepultura e também muitas bandas locais que tocariam naquele dia/noite. Seguindo o protocolo e respeitando tanto o público que já se fazia presente e as bandas, os shows iniciaram com atraso mínimo e tolerável para um festival do porte que foi o Fest Rock... O sol já se escondia no horizonte quando a revelação do rock roraimense em 2013, a banda DITAMBAH abriu a noite metal do festival. O cardume rocker, apesar do pouco tempo de estrada, não se intimidou com a chuva fina que caia, muito menos com os problemas iniciais do som... Entregaram um show 100% autoral, cativando de banguers a roqueiros, impressionando até o convidado especial da revista Road Crew – Airton Diniz e escrevendo por definitivo seu nome na história do maior festival de Roraima. Certamente a Ditambah merece fazer parte da próxima edição do Festival, por entregar um puta show de rock como deve ser: Visceral, escroto, sincero e despretensioso! E melhor ainda: Autoral! 

A qualidade do som sempre foi o calcanhar de aquiles nos eventos de rock em Roraima e um incomodo para as bandas locais que não tem equipe de produção para cuidar dessa engrenagem de um show de rock. A produção do Fest Rock tem conhecimento desse desafio e a cada ano exige mais qualidade da equipe responsável por todo o aparato sonoro, mesmo assim apitos aqui e acolá, como os que prejudicaram o show da banda Rhevan de Mato Grosso... do Sul e de outras bandas da primeira noite, voltou a assombrar as bandas da noite metal... A banda KLETHUS foi uma delas que sofreu com os problemas de equalização dos PA'S que se não chegaram a comprometer o show da banda, sempre coeso e técnico, ainda assim deixou a desejar para os ouvidos mais leigos... Sabemos da boa vontade que toda a equipe de som tem a todos os anos em fazer o melhor trabalho possível para que a qualidade do som dos shows das bandas locais melhore, mas ficou claro que mesmo migrando do ginásio do Sesc Mecejana para uma área aberta, ainda falta um cara safo e conhecedor do som das bandas locais para dar conta do recado... Mas o mérito de um som de qualidade no show não é só do técnico de som, mas também da banda, que muitas vezes exagera na equalização do back line e aí parceiro, não há profissional competente que dê jeito... Ainda assim a equipe de som fez um trabalho louvável comparado as edições anteriores, e se a estrutura de som não foi do agrado de todos, pelo menos não foi o fator crucial para prejudicar a performance dos grupos locais. 

IEKUANA - Um dos melhores shows de todos os tempos do Festival

O Fest Rock comprovou que o rock local está bem servido de bandas com competência para tocar de igual praa igual com atrações nacionais, e proporcionar grandes shows e muito orgulho para nós. Neste seleto grupo fazia parte a banda A COISA e a extinta e cool LN3, mas agora outra banda local pode se considerar um dos medalhões do rock local, e esta banda atende pelo nome de IEKUANA. Palavras para descrever um dos melhores shows do Festival, e talvez o melhor show de uma banda local até hoje no Fest Rock? Não preciso... O vídeo a seguir fala por si só. 


A banda amazonense EUTANASE reafirmou o que já havia sido dito anteriormente em relação as bandas convidadas para o festival. Manaus é uma metrópole, cheia de bandas boas, legais, de estilos diferenciados, e que são de custo mais baixo para o Festival... Não faz sentido trazer bandas do outro lado do país (duvido que aconteça o oposto, uma banda daqui tocar num festival do outro lado do país com tudo pago) quando temos daqui do lado bandas como a EUTANASE que fez o dever de casa bem feito e aqueceu os pescoços dos banguers que já se acumulavam no front stage do palco Tepequém para prestigiar a última e atração principal do festival, o SEPULTURA. Ainda assim, sem desmerecer o trabalho muito competente e bem feito dos brothers banguers do Amazonas, e que certamente agradou de forma unânime o público local, muita gente e eu preferiríamos ter visto a IEKUANA “abrindo” o show do SEPULTURA. 

EUTANASE - Trash metal do Amazonas levantou o público do Festival

Faltava pouco mais de 20 minutos para a meia noite quando a equipe de produção do Sepultura começou a montar o palco para o show da banda, e nesse momento enquanto aguardava o início do show, um filme retrô passou na minha cabeça. Relembrei o começo disso tudo, a jornada que a história do rock roraimense, e do próprio FEST ROCK atravessou para chegar até esse gran finale inesquecível que iria se tornar o show do SEPULTURA, e recordei como nasceu o Fest Rock, ainda tímido, há 9 anos atrás, no já extinto templo do rock roraimense, o ESPAÇO MULTICULTURAL DO SESC CENTRO, e a trajetória das bandas locais que fizeram e fazem parte dele (muitas delas nem existem mais), das bandas convidadas, em especial a PINK ROCK, BRUTU'S, TETRIS, o momento que ele evoluiu para um mega festival de rock de fato , quando passou a ser realizado no ginásio do Sesc Mecejana, as intrigas, brigas nos bastidores, os boicotes que o festival já sofreu no passado, as mentiras que os recalcados espalharam para tentar minar a credibilidade do festival e induzir o público a não apoiar ou participar do evento, e os momentos inesquecíveis como os shows da banda A COISA, o hasteamento da bandeira do Festival, o reencontro com os amigos, alguns mais gordinhos é bem verdade, outros já pais e mães de família, mas todos ainda rockers e banguers de alma, e uma cena que guardarei para sempre na memória: Um brilho nos olhos e um semblante de felicidade, ainda que contida, do paraiba mais rocker que conheço por aqui: Kildo Albuquerque! Ao observá-lo há alguns metros ao meu lado, embebido de uma mistura de ansiedade, inquietação, felicidade e certamente mil pensamentos fervilhando em sua mente, percebi que mesmo a jornada sendo dura, mesmo com os desafios, a chuva que insistia em cair na noite de domingo, e tudo que poucos sabem o que aquele cara já passou e passa para ano após ano dar vida ao Fest Rock junto de sua equipe, tive a certeza que vale a pena correr atrás dos nossos sonhos, sejam eles quais forem, pois mesmo a jornada sendo dura, a recompensa sempre virá, e ela veio, em altos decibéis, sem meias palavras, e a massa headbanguer, já inquieta, ouvindo atentamente ao Kildo, já de cima do palco Tepequém compartilhando sua felicidade em ver aquele momento acontecer e também agradecendo todos que ajudaram de alguma forma ou de outra realizar o Fest Rock, liberar o front stage para todos baterem cabeça no gargalo do palco ao som mais pesado, alto, ultra mega equalizado e impressionante do SEPULTURA! 

Kildo Albuquerque numa atitude rocker
liberou o front stange para a massa headbanguer 

A banda SEPULTURA divide opiniões... Enquanto uns acham que a banda só carrega o nome devido ao prestígio, mais nada faz de bom e lança discos aquém dos clássicos ARISE e ROOTS, e que a banda deveria ter acabado em 1996 quando saiu o vocalista MAX CAVALERA, outros fãs acreditam que a banda deve seguir em frente, levando o legado dos irmãos Cavalera e não se prendendo ao passado... Eu sou um misto dos dois... Ainda prefiro a era dos irmãos Cavalera, muito mais pesada, e todos os adjetivos do gênero que fazem de uma banda de metal ser foda, e talvez por isso tenho acompanhado e ouvido bem menos a banda “dos dias atuais”, mas temos que reconhecer que o Sepultura não se acomodou ao passado e seguiu em frente...

ELOY CASAGRANDE - Vitalidade e exemplo de competência nas baquetas 

Mesmo com a saída do baterista e co fundador da banda IGOR CAVALERA, o som do Sepultura continua impressionante, tanto sonoramente, como visualmente falando, afinal, dá gosto ver o garoto ELOY CASAGRANDE, de apenas 22 anos, literalmente espancar a bateria em clássicos como ROOT'S BLOOD ROOTS e ORGASMATRON... Velho! Se todos os bateristas de Roraima tocassem pelo menos a metade do que Eloy toca, nem digo de técnica, mas de tesão, de paixão e de intensidade, nós teríamos várias bandas legais e não essa decadência atual que assola a nova safra do rock local... Porra! Ver ANDREAS bangueando como um garoto, ir ao microfone e dizer com um sorriso largo no rosto, visivelmente sincero, o quanto estava feliz de tocar em Roraima levou o público ao êxtase! DERRICK não é MAX CAVALERA, mas o negão representa bem no vocal e merece nosso respeito! O tiozão PAULO XISTO é um show a parte... O coroa dá exemplo de vitalidade... Pra resumir a história: Um show impecável, que abordou toda a história da banda em pouco mais de 1 hora e 40 de show, e que certamente deixará boas lembranças na memória de muitos banguers de Roraima, inclusive a minha! 

SEPULTURA - Um show histórico no maior festival de rock de Roraima 

Já era madrugada de segunda feira quando o SEPULTURA deixava o palco Tepequém do Roraima Sesc Fest Rock. Alguns banguers ainda estenderam a festa na frente do Sesc Mecejana, ainda anestesiados pelo show histórico que acabaram de assistir... Uma energia diferente tinha tomado conta daquele lugar, um sentimento palpável de felicidade visto no rostos de jovens e velhos roqueiros que se juntaram para curtir o show... Acabava de ser escrito mais um capítulo na história do rock acima do equador, e pra mim, sem dúvida um dos mais legais que já tive a oportunidade de vivenciar e poder contar futuramente para as novas gerações do rock roraimense. 

O FEST ROCK é hoje muito mais que um festival de rock, é uma celebração que vai além da música, das amizades, da história do rock roraimense...O FEST ROCK é o próprio rock roraimense em sua essência, com tudo que nele há d bom e ruim... Não importa as controversas que o festival provoca todos os anos com sua programação, as intrigas que rolam nos bastidores, os lambedores de saco que babam o ovo do Sesc RR para garantir sua bandinha na programação do evento, e as coisas boas como reencontrar os amigos, aguardar ansiosamente mais um show fodástico da banda A COISA, ver a cada edição o festival crescer em qualidade tanto das bandas, dos shows, da estrutura, da organização, do espaço e da repercurssão, que agora atinge níveis nacionais com a parceria da revista ROAD CREW... Não importa se no próximo ano haverá ainda as panelinhas, as bandas de proveta, bandas covers, bandas autorais, shows especiais... O show tem que continuar e nós, como público, apoiadores, bandas, entusiastas ou apenas expectadores disso tudo, temos que sempre estender nossas mãos e dar apoio, pois se hoje temos o privilégio de assistir um show de nível internacional como foi o da banda Sepultura, e podemos agora sonhar mais alto quando se fala de Fest Rock, é por que lá atrás, há quase uma década, caras como Kildo Albuquerque, Siddhartha Brasil, Alexandre Horta, Cesar Matuza, Rímolo Pina, Stallyn Buckley, San Old Funereal, Jeremias Nascimento, “Shaman” March Ramone, foram visionários em nunca desistir de fazer a roda do rock n’roll girar por aqui... 

Qualquer festival de rock tem seus acertos e erros, e com o FEST ROCK não foi diferente, mas acredito que após 9 anos de história, o evento chegou a níveis de qualidade que sempre sonhamos para o Festival... As falhas são mínimas, e os acertos, suficientes para batermos no peito e dizer que aqui em Roraima tem festival de rock foda que põe no chinelo muitos outros Brasil afora! 

Parabéns ao SESC RORAIMA e toda a sua imensa equipe de profissionais super competentes que deram o sangue pra fazer acontecer o maior festival de rock de Roraima e obrigado por proporcionar a nós banguers e rockers, um dos finais de semana mais legais de nossa vida! Longa vida ao RORAIMA SESC FEST ROCK! 

Fecha a conta. 

AGRADECIMENTOS

O blog Roraimarocknroll agradece ao SESC RORAIMA e toda a equipe que fez parte da produção do festival, em especial a turma gente boa da ASCOM (Rodrigo Baraúna, Girnei, Saulo Oliveira, Michel Sales e Gilvan Costa), a equipe sempre competente da gerência de cultura do Sesc (em especial a Carol, Renato, Ana e Rafael Inforzato), e ao diretor regional do Sesc Roraima - Kildo Albuquerque, por ter convidado o Blog para ser apoiador do evento e fazer a cobertura do festival. Temos muita honra em ter feito parte dessa história. 

* Fotos: Assessoria de Comunicação do Sesc Roraima

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