4 de out de 2016

PAPO RETO - FERNANDO JATOBÁ - DE LÁ ATÉ AQUI COM OS MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU

A sessão PAPO RETO do Blog Roraimarocknroll trocou uma ideia exclusiva com o guitarrista Fernando Jatobá, do Móveis Colonais de Acaju. Confira como foi o papo:

Blog Roraimarocknroll
O blog conheceu seu trabalho em 2010 quando ainda fazia parte da banda brasiliense Brown-Ha no circuito independente de festivais. Que lembranças tem dessa época no rock independente no Brasil?

Fernando Jatobá
O Brown-Há (que teve seu início em 2005) foi minha primeira banda a dar os passos que sempre sonhei ao tocar em uma banda, gravar, mostrar o trabalho para o público, ter um público cativo, viajar e tudo mais. Fizemos um trabalho de desbravar as estradas, algumas loucuras, muita coisa boa, muitas lembranças que jamais esquecerei, viajamos o país todo entre pequenas casas de shows e grandes festivais, viajando de carro, de van, de avião, dormindo em casas, chão de escolas e hotéis, foi uma experiência fantástica e uma grande escola. O dito independente no Brasil é algo que ainda se tem muito a explorar. Foi graças a essas aventuras que conheci muitos amigos e parceiros da música também.

Móveis Coloniais de Acaju

Blog Roraimarocknroll
Como é fazer parte de uma das bandas mais importantes do rock brasileiro dos anos 2.000? O que mais te marcou nesse anos tocando guitarra nos Móveis Coloniais de Acajú?

Fernando Jatobá
Eu conheci o Móveis em um festival aqui em Brasília, o BMF (2003), eles foram a única banda da cidade a tocar no palco principal, dai meu interesse em ir sacar o som. Não gostei muito não, achei estranho, muita gente no palco, som confuso, era época do EP e algumas músicas do IDEM, muita loucura, mas chamou a atenção. Em 2005 entrei na UnB, montei o Brown-HÁ e comecei a ir em todos os shows, inclusive lançamento do IDEM, gostava demais ia sempre com o pessoal do Brown-HÁ. Acompanhei o crescimento da banda, mas não conhecia ninguém. Até que em 2011, eu estava fazendo muitos eventos na cidade e tocando muito com o Brown-HÁ, fui chamado para fazer parte da equipe técnica do Móveis como roadie, na época eu trabalhava bastante com a parte técnica de shows. Viajei 2012 todo como equipe e criei uma afinidade legal com o BC (ex-guitarrista do Móveis). Acabei tirando as músicas e as vezes passava som no lugar dele (rs). Ao longo do ano comecei a frequentar o estúdio do Móveis e gravei toda a pré-produção do último disco. Aproveitava para conhecer todo mundo, aprender com tudo e todos. Acabei trabalhado também no processo todo de gravação do De Lá até Aqui, mas uma vez, tirei todas as guitarras (rs). Em 2013, o BC anunciou sua saída e me ligou perguntando se eu animava de tocar na banda. Fiquei uns 2 dias pensando e resolvi encarar. De início, um pouco nervoso, as músicas são bem diferentes do que eu era acostumado a tocar. Passava o dia todo tirando as musicas e tocando guitarra em casa. Ao longo dos 3 anos de banda fui notando o tamanho do Móveis, o tanto de fãs que temos, o quão carinhoso é o público que nos acompanha. Fui muito bem acolhido por todos em todas as cidades e eventos que toquei com o Móveis. Subir em um palco em um evento lotado e com um público quente e enérgico como o do Móveis, é de arrepiar! Tenho até hoje um ingresso do meu primeiro show do Móveis. Fazer parte desse trabalho é algo incrível e também de muita responsabilidade, pois há muita expectativa do que vamos fazer.Muita coisa boa aconteceu, muitas coisas me marcaram, conheci muita gente, mas acho que a viagem para fora do país para tocar no Primavera Sound 2014 em Barcelona foi algo que tenho como um ponto muito importante pra minha carreira como guitarrista, algo que jamais imaginei e o Móveis me proporcionou essa saída do Brasil. Além disso, ver o nascimento do documentário musical do Móveis (Mobília em Casa), um cinema lotado em Brasília curtindo um filme do qual participei (como equipe), foi de arrepiar também.

Brown-Há

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Com quase 20 anos de carreira e 3 discos lançados, e uma legião de fãs, em sua opinião, qual o legado dos Móveis para a música brasileira?

Fernando Jatobá
O Móveis criou um jeito diferente de lidar com a própria carreira e seus fãs que acho que ficará pra sempre marcado e lembrado, além claro das grandes canções e os elogiados álbuns. Sempre cuidamos de tudo da banda, desde marcar shows e entrevistas até produzir os próprios produtos, isso foi modelo para muita banda, gerir a própria carreira. A maneira como Móveis sempre se preocupou em dar atenção ao público, manter contato e interagir seja no show, clipes ou simplesmente online, é algo que fez muita diferença também. Não vejo isso acontecendo com tanta frequência com outros grupos, o artista ter contato direto com o fã. Isso marca muito as pessoas que gostam da banda pois não há tanta distância entre fã e artista.

Fernando Jatobá

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Os Móveis anunciou que fará uma pausa por tempo indeterminado, para a surpresa dos fãs, e planeja uma despedida ainda este ano. Como será esta despedida? Estão programando uma tour? E porque o grupo decidiu dar um tempo na carreira?

Fernando Jatobá
Depois de 18 anos de carreira, o pessoal cansou um pouco. De uns tempos pra cá todo mundo começou a cuidar mais dos projetos paralelos e isso sempre foi incentivado pelo grupo. Chegamos a conclusão que seria uma boa hora pra parar e cada um cuidar um pouco de si mesmo, o grupo em si já não estava funcionando tão bem quanto antes, acho que algo normal depois de tanto tempo juntos. Há planos para uma despedida, mas ainda não definimos nada. Pode ser uma ação, pode ser um show, pode ser uma tour, mas nada foi planejado ainda. Eu acharia sensacional fazer uma última tour para me despedir do público e agradecer todo carinho recebido. Em breve anunciaremos o que será feito.

*Créditos: Canoa Cultural
Móveis Coloniais de Acaju em Roraima

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A banda se apresentou em 2015 pela primeira vez em Roraima. Como foi a experiência de tocar no extremo norte do Brasil?

Fernando Jatobá
Tocamos no Festival Tomarrock, foi uma experiência incrível! A produção fez uma correria muito grande para conseguir nos levar e agradecemos muito a toda equipe do festival. O público ficou eufórico, cantou do início ao fim. Fomos muita bem recebidos e fizemos alguns bons amigos na cidade também. Uma pena que sempre é tudo muito rápido e por ai, muito quente também. (rs)

Fernando Jatobá

Blog Roraimarocknroll
Com o fim desse ciclo em sua carreira, quais são os planos para o futuro? Disco solo? Tocar em outros projetos? O que podemos esperar de Fernando Jatobá em 2017?

Fernando Jatobá
Atualmente estou com um estúdio de gravação em Brasília chamado JatoBeats (https://www.facebook.com/estudioJatoBeats), gravando alguns artistas locais e quem tiver interesse. Há um plano para montar uma banda nova, mas nada certo ainda, só um plano (rs). Acompanho o guitarrista DILLO em seu projeto solo, acabamos de lançar o seu quarto álbum chamado DILLO e estamos viajando e tocando muito aqui no DF também (www.facebook.com/dillodaraujo). Toco também junto com Esdras Nogueira (sax barítono do Móveis) e com o André Gonzáles no seu projeto solo chamado Senhor Gonzales Serenata Orquestra, um baile para terceira idade onde fazemos releituras de clássicos da era do rádio (https://www.facebook.com/senhorgonzales). Em breve o Brown-HÁ lançará seu primeiro álbum o qual gravei e mixei além de tocar guitarra, sairá em todas as plataformas virtuais, provavelmente no mês de Outubro. Ano que vem, procurar pessoas interessadas em trabalhar e jamais ficar parado, devo ficar um pouco mais focado no estúdio por enquanto, mas sempre aberto a tocar com qualquer um e qualquer esquema.

Fernando Jatobá

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Pra fechar a conta... Uma mensagem para os fãs da banda em Roraima.

Fernando Jatobá
Vocês foram um público sensacional e muito receptivo, particularmente gostei muito de tocar por ai e espero poder voltar em breve! O Móveis vai parar por um tempo, mas o trabalho feito acredito que jamais será esquecido. 

Fecha a Conta.

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