26 de abr de 2016

SENTA A PÚA – SCHIN FEST ROCK – O MAIOR FESTIVAL DE ROCK QUE RORAIMA JÁ VIU (PARTE 1)

Maior, mais tradicional e importante festival de Rock de Roraima, retorna a cena roraimense com a 11ª Edição oficial, elevando o nivel do rock roraimense a novos patamares, celebrando a velha e nova geração do rock macuxi e provando que a chama do metal arde inesgotavelmente no peito dos headbanguers de Roraima. Um festival que entra para a história do rock acima da linha do Equador, como o maior e mais inesquecível de todos os tempos em Roraima. 

Por Victor Matheus – www.roraimarocknroll.blogspot.com

A cidade de Boa Vista em 2001 era bem diferente dos dias atuais. Ser jovem naquela época e gostar de rock significava ser um peixe fora da água. Havia poucos lugares para ouvir bandas ao vivo, entre eles a sorveteria Gela Guela e o Restaurante Ville Dumont, onde frequentemente a banda Garden, uma das mais expressivas e importantes bandas daquele período (e ainda hoje), tocava com frequência. Bandas autorais eram raridade, e eventos e festivais de rock um sonho distante. 

O gramado da sorveteria Gela Guela recebia com frequência shows da banda Garden e bandas convidadas. O sucesso do evento veio logo, com a presença cada vez maior do público, inclusive sendo o palco para uma das primeiras apresentações da primeira banda deste blogger que aqui escreve, a PaPa VeLHas. Nascia ali naquele gramado da Praça Ayrton Senna, a ideia de um festival de rock. 

Créditos | Arquivo Pessoal Alexandre Horta
Programação do 1º Fest Rock realizado em 2001

Naquele ano, Siddhartha Brasil (banda Garden), Alexandre Horta (Tsunami/LN3) e Gustavo Abreu (proprietário do Gela Guela), inspirados pelo sucesso dos shows que aconteciam no Gela Guela, idealizaram um grande festival de rock, na quadra de futsal da Praça Ayrton Senna, em frente a sorveteria, com uma estrutura dignida de grandes arenas à epoca, 22 shows de bandas locais e mais a banda amazonense João Pestana no line up e 3 dias de evento com entrada franca. Nascia em 2001 o FEST ROCK. 

A primeira edição do Fest Rock foi sucesso absoluto. Na época, o blogger que aqui escreve tinha 16 anos, tocava guitarra numa banda iniciante formada por amigos de escola e ficou impressionado com o tamanho festival. Naqueles três dias de festival, caminhar no gramado da praça com os amigos ouvindo rock ao vivo era como estar num filme retrô, em Woodstock, Rock in Rio ou Holywood Rock... O Fest Rock foi tão surreal para os padrões da época, que demorou a cair a ficha. Aquele evento era o sonho de muitos roqueiros na época, um verdadeiro oásis para os banguers, sobretudo porque Boa Vista tinha muita carência de shows de rock. 

Créditos | Arquivo Pessoal Alexandre Horta 
O palco do 1º Fest Rock

Depois do Fest Rock a cena rock macuxi literalmente explodiu. A busca constante por palcos onde pudessem tocar e reunir a galera, fez com que alguns líderes de bandas, entre eles Siddhartha Brasil e Alexandre Horta (os mesmos idealizadores do Fest Rock), procurassem o Sesc (Serviço Social do Comércio) para tentar encontrar uma alternativa, e deram sorte. O diretor regional do Sesc, Kildo Albuquerque, um inveterado roqueiro, atendeu de pronto a sugestão das bandas. Desse encontro nasceu o PROJETO ESPAÇO ROCK. 

Lançado em 16 de julho de 2004, com uma noite de shows que reuniu 11 bandas de Boa Vista, o projeto Espaço Rock do Sesc Centro foi a força motriz que impulsionou por uma década o rock do extremo norte do Brasil. O templo do rock, como ficou conhecido, foi palco de grandes shows, eventos, festivais, e encontros mensais da massa roqueira que finalmente encontrara um espaço para celebrar seu amor ao rock. 

Créditos | Arquivo Pessoal Alexandre Horta 
A 1º edição do Fest Rock em 2001 fez história

O sucesso do Projeto foi imenso, e um ano após a criação do Espaço Rock, o FEST ROCK retornava a cena, agora organizado pelo Sesc Roraima, e com um novo nome de batismo: RORAIMA SESC FEST ROCK, um festival para celebrar o Dia Mundial do Rock reunindo bandas autorais, covers, de tributo e convidadas. 

O RORAIMA SESC FEST ROCK ACONTECEU DE 2005 ATÉ 2013, SOMANDO 9 EDIÇÕES, realizadas no Sesc Centro, Ginásio do Sesc Mecejana e área externa do Sesc Mecejana, encerrando sua história no dia 14 de julho de 2013, com o show antológico da maior banda de metal do Brasil, o Sepultura. 

Créditos | Arquivo Pessoal Alexandre Horta 
1º edição do Fest Rock em 2001

Com o fim do Fest Rock, a cena rock de Roraima sofreu um duro revés. Aos poucos, a unidade que o Festival trazia a cena rock e as bandas foram dissipando-se, e o rock macuxi perdendo força, expressividade e união. 

Por meio da Lei Estadual de Incentivo a Cultura, o projeto Fest Rock foi aprovado em 2014, mas somente em 2016 pode ser viabilizado. Com o patrocínio da Cerveja Schin, REC Distribuidora, Shop Som e Governo de Roraima, o mais importante festival de rock de Roraima voltava à cena na Praça Velia Coutinho, com o mesmo espírito e a essência que fez dele em 2001 um divisor de águas na história do rock do extremo norte do Brasil. 

Em 2 dias de evento, a Praça Velia Coutinho recebeu o show de 14 bandas locais, a apresentação da Orquestra Experimental do Instituto Boa Vista de Música tocando versões orquestradas de clássicos do rock e a presença de um público heterogêneo e sedento por muito rock, em alto e incontáveis decibéis. 

A estrutura do Fest Rock foi, sem dúvida, a maior já montada para um festival do gênero no estado de Roraima, superando a estrutura da última edição realizada em 2013, o que parecia impossível e surpreendendo tanto as bandas como o público. 

Equipe do Schin Fest Rock e o blogger

Com mais de 10 toneladas de equipamentos, o palco do Fest Rock trouxe o que há de melhor em tecnologia de entretenimento para shows ao vivo, com um backline monstro de alto nível, som digital, 3 painéis de LED para projeção de imagens e transmissão dos shows ao vivo, registro audiovisual com drones, câmeras de vídeo de última geração, gravação de áudio multipista de todos os shows, e uma equipe técnica com os melhores profissionais do ramo de Roraima. 

Além da estrutura de palco, o Fest Rock contou com banheiros químicos para o público, barracas para venda de bebidas, com cerveja do patrocinador a preço promocional de R$ 2,50, Praça de Alimentação, stand da loja Jump Store, apoiadora do evento, comercializando produtos de rock, a presença da Polícia Militar com uma Central de Ocorrências, além do monitoramento com câmeras em pontos estratégicos da Praça Velia Coutinho e camarim exclusivo com bebidas e quitutes para as bandas, o sonho de qualquer artista se tornando realidade. 

OS SHOWS 

Em abril inicia em Roraima o período de chuvas, que não se fez de tímida e acabou atrapalhando a passagem de som das bandas no dia anterior ao evento, atrasando o cronograma dos shows, e provocando um atraso de 1 hora na programação por conta do mal tempo, mas que não prejudicou a primeira noite de evento. 

Na abertura do Schin Fest Rock, o público conferiu um show especial com a Orquestra Experimental do IBVM, composta por 40 músicos que executaram clássicos do rock internacional rearranjados para o estilo erudito. 

Créditos | Victor Pium
PONTO 40  - nova geração do metal fez bonito no Schin Fest Rock

PONTO 40 foi primeira banda a subir no palco do Schin Fest Rock. O grupo, ainda novo na estrada do rock, apresentou covers de metal e músicas autorais, bem executadas, com riffs pesados e distorcidos do guitarrista Caio Zanis, revelando ser uma boa promessa das 6 cordas, bateria insana e brutal bem tocada pelo pequeno prodígio Level Macuxi, e boa presença de palco do vocalista Hyago Lima e do baixista Elizeu ‘Gigante’ Silva, aquecendo o público e trazendo os primeiros headbanguers para bater cabeça na frente do palco. A Ponto 40 representa a nova geração do rock roraimense, com muita competência e potencial para levar adiante a chama do metal macuxi. Eis aí um grupo que aponta como promessa do metal, e muito em breve pode surpreender muito se continuar fazendo o som coeso e brutal que apresentou no palco do Schin Fest Rock. 

Créditos | Victor Pium
GUYBRAS - o reggae do my friend Mike GuyBras

“Hey maluco se é bom deixa rolar”. O reggae também teve espaço na programação do Schin Fest Rock. A veterana banda GuyBras, do sangue bom my friend Mike GuyBras, trouxe o ritmo da Jamaica e músicas próprias para o palco do Fest Rock, e com todo o seu carisma ganhou o público logo nos primeiros acordes. A vibe da GuyBras arrebata de imediato, e ver um dos mais carismáticos artistas de Roraima, o guyanense Mike GuyBras, distribuindo sorrisos e mensagens positivas no palco é sempre uma inspiração. Também destacamos a competente banda GUYBRAS, que tem na back vocal Lionella Edwards um dos grandes diamantes da música de Roraima. Durante o show, a GuyBras ainda abriu espaço para outra banda de reggae dar uma canja, a Geração Roots, que só engrandeceu mais o show dos manos do Pintolândia. Foi lindo! 

Na sequência do Schin Fest Rock, subiu ao palco a banda Johnny Manero, tocando sua músicas autorais já conhecidas do público, e literalmente atropelando o apresentador do evento Orib Ziedson, antes de tocar sua última canção e encerrar a apresentação. 

Créditos | Victor Pium
ESTADO DE COMA apresentou o show mais brutal do Schin Fest Rock

O metal sempre foi um dos estilos com maior adesão de público no rock roraimense. Em 2001 a banda Estado de Coma representava o metal extremo roraimense e também fez parte da primeira edição do Fest Rock. Após um hiato de longos anos, a banda retornou a cena em 2016, mais brutal, coesa e agressiva do que nunca e foi assim, em altos decibéis, que a Estado de Coma fez no palco do Schin Fest Rock um dos shows mais brutais e altos do Fest Rock, para o deleite da massa headbanguer que literalmente se quebrou na frente do palco ao som de covers clássicos das bandas Brujeria e Slayer, entre outros. Para os ouvidos mais desavisados, foi um golpe sonoro brutal, e para os fãs do som pesado, uma catarse do mais puro e extremo brutal death metal made in Roraima. Lastro total! 

Créditos | Victor Pium
O cardume rocker DITAMBAH consolidou a nova formação no Schin Fest Rock

A banda Ditambah é formada por veteranos do rock, com Alexandre ‘Serrotão’ Horta na guitarra e Jorge Holanda no contrabaixo, ambos, remanescentes da lendária banda LN3, antiga Tsunami, que também fez parte do primeiro Fest Rock. No Schin Fest Rock a banda apresentou sua nova formação, agora com Franklin Lima na bateria, Roberto Mebs na guitarra base e o poeta e vocalista Rodrigo Mebs no vocal. O cardume rocker apresentou seu pós punk sujo, poético e visceral, acrescido de doses cavalares de peso com a nova formação, e ainda homenagearam a música de Roraima, com uma versão pesadíssima da música ‘Tudo Índio’, do poeta roraimeira Eliakin Rufino. Selaram o show com o clássico contestador ‘Fé de mais não cheira bem’, mantendo os banguers batendo cabeça na frente do palco Velia Coutinho e mostrando que a velha guarda do rock macuxi ainda tem muita lenha pra queimar. O grande tambaqui celestial agradece. 

Junte alguns músicos das bandas Johnny Manero, Projeto Churras, Red Roof e terá mais uma, das muitas versões, da banda Mr Jungle, que apresentou no Schin Fest Rock um repertório com músicas do seu primeiro e único disco oficial – Mr Rock N’Roll -, covers de bandas locais , entre elas da banda Johnny Manero (que havia tocado a mesma música algumas horas antes no festival) e a manjada arroz de festa “highway to hell”, no show que, segundo o próprio vocalista, teve apenas 3 ensaios para ser apresentado ao público por uma banda com 16 anos de estrada. 

Créditos | Victor Pium
A COISA - o show mais esperado da primeira noite do Schin Fest Rock

Encerrando a primeira noite do Schin Fest Rock, a banda A COISA, do performer Mr Gal, não decepcionou os fãs do show mais esperado da noite, transformando o palco do Schin Fest Rock num verdadeiro teatro horror show com uma performance irretocável do mais icônico front man do rock roraimense. Entre críticas, performances bizarras e provocativas, Mr Gal mostrou porque A COISA é a cara do Fest Rock e a certeza de um belo espetáculo visual, sonoro e subversivo, para o deleite do público, e orgulho do rock roraimense. 

Continua...