26 de mai de 2014

MAMA ROCK - SATISFAÇÃO GARANTIDA


Por Rafael Vieira | www.rockamazonense.com

Depois de passar quatro meses para acontecer mais uma edição do Festival Mama Rock, o povo de Manaus não se decepcionou. Com a casa cheia, pessoas se espremiam no Nativos Bar, neste sábado (17/5). E isso depois de um atraso que não desanimou a galera que ainda não parava de chegar. Aí, quem não decepcionou foi a Antiga Roll,Os Playmobils, Red Roof, Dpeids, Rotação Perfeita e Infâmia que subiram no palco com uma gana de chamar a atenção. Assim que começa!

Por volta das 23:40 a banda Antiga Roll comanda o palco, com a música “Show de Rock And Roll”. Do outro lado do palco, uma plateia extasiada e com a garganta seca de tanto cantar tudo o que é música do grupo que é ao mesmo tempo em que se acaba em peculiares rodas de pogo e confrontos espontâneos do tipo “divisão do Mar Vermelho”. Por isso o Mama Rock nem precisa registrar a lotação máxima para que a panela de pressão sob a lona seja acionada. Em meio a caos generalizado, o show não prevê tempo para qualquer tipo de relaxamento mental. No show da Antiga Roll é tudo compacto, maciço, intenso, insano.

A segunda banda a se apresentar foi nada mais que Os Playmobils, que na verdade era pra ser a primeira, mas devido alguns atrasos o trio se apresenta depois de Antiga Roll, mas diante desse contexto estão suspensas as reclamações. “Despreocupado” foi à música de entrada da banda, e nessa parte que a galera começa a se juntar em frente ao pequeno palco e todos ali presentes pareciam sim conhecer a música. Uma interação mediata e eloquente que só poderia acontecer entre uma banda definitivamente especial. Poucas vezes se vê um encontro tão bem moldado, sobretudo em se tratando de uma banda punk como Os Playmobils.

Foto: Deyse Sena
Logo em seguida veio ao palco uma das duas bandas convidada de Roraima a Red Roof. Iniciou com duas músicas covers, que na real não seria mesmo aquilo que o público queria ouvir, mas mesmo assim a galera saiu do chão e soube se divertir com o quarteto. Depois o grupo toca seu novo single, onde os presentes gritavam “estava na hora”, felizmente a banda fez jus de sua vinda a Manaus e no final fechou com chave de ouro, mesmo sendo com uma música cover.

Não demorou muito pra entrada dos podres da Dpeids e começar a pancada com muito rock n roll, Isso porque o prato principal da noite é o peso indelével do grupo, seja de forma mais lenta, quando tem um élan de sua evolução, ou em músicas mais velozes, para o público se acabar pra valer. No primeiro apanhado, salientam-se “Trás o meu Isqueiro”, cuja vocação é impulsionar a bateção de cabeça; e “Você é da onde”, uma ode aos punhos cerrados valorizada por um refrãozão dos bons e o melhor o público gritando juntos “então morra”. No segundo punhado, cabem “Lotação”, que encerra a sua parte do show com a plateia acompanhando com fúria semelhante; e “Doido Deles”, que reserva solos realmente nervosos.

Foto: Deyse Sena
Infelizmente ao que escreve aqui não ficou até o final da festa, com isso ficaram faltando duas apresentações que foram Rotação Perfeita e Infâmia, que todas as duas dispensam comentários por sim sempre fazer de suas apresentações as melhores. Infâmia uma das bandas mais presente no cenário manauara ficou para fazer o fechamento do Festival que mesmo eu (Rafael) não estando presente, fico feliz em saber que a banda fez uma boa apresentação, diante do público que esperavam ansiosamente.

Quando vou assistir um show com bandas autorais aqui em Manaus, é muito difícil encontrar um jornalista da área cultural, exceto quando esse evento tem uma boa assessoria de imprensa (que as vezes é difícil). Ora meus amigos, se todo o jornalista tem que ir atrás da notícia, o jornalista cultural, de música e de rock, tem que ir onde o rock está. Os principais jornais do país não podem adotar uma postura subserviente às grandes corporações da música, fiando a seus jornalistas de redação a pautas que mantém um mercado viciado, excludente não só para o rock, mas para a música de qualidade de uma forma geral.

Parabéns aos que fizeram essa edição ser uma das melhores, e ficam aqui minhas pequenas palavras de carinho.

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